Cinema, um método de aprendizagem

Não é novidade a utilização de filmes do circuito comercial nos eventos de treinamento e capacitação de pessoas nas empresas. Estamos nos referindo, aqui, aos filmes encontráveis em locadoras após permaneceram por um tempo no circuito comercial dos cinemas.

Alguns cineastas como Stanley Kubrick, Bernardo Bertolucci e Peter Weir nem sequer poderiam suspeitar, mas, ao dirigirem seus filmes, prestaram também uma contribuição inestimável para a área de recursos humanos, em particular de T&D, das empresas. Suas obras, assim como a de diversos outros diretores, vêm servindo como poderosos transmissores de mensagens e conceitos para o mundo corporativo.

Do ponto de vista didático, esses filmes, na maior parte das vezes, “cedem” algumas cenas da sua trama para serem utilizadas em sala de treinamento, notadamente nos temas ditos comportamentais e/ou atitudinais. Em alguns casos, pode-se utilizar o filme todo para apoiar o trabalho de treinamento, desde que a sua projeção seja feita por partes e apoiada por exercícios complementares. A utilização mais conhecida desse recurso costuma atender a três objetivos:

1) ilustrar, com exemplos práticos, os aspectos conceituais que estão sendo discutidos;
2) aprofundar a discussão de um tema específico;
3) apoiar e complementar exercícios estruturados em sala.

Qualquer filme comercial se presta para esse intuito, desde que o treinador trabalhe com antecedência com ele, buscando adaptar adequadamente o conteúdo das cenas aos objetivos que está perseguindo. Ou seja, a utilização despreparada desse recurso pode ser desastrosa, portanto, recomenda-se muito cuidado para não “queimar o filme” do treinador. Por outro lado, quando se consegue sua correta utilização, pode-se usufruir da potência metafórica dos filmes enquanto veículos de mensagens e conceitos.

Existem muitos filmes comerciais que, por terem sido frequentemente utilizados, se tornaram muito conhecidos nas salas de treinamento. O caso mais clássico é o “12 homens e uma sentença”, que ainda hoje ganharia o Oscar para ilustrar e discutir: trabalho em equipe, funcionamento de equipes de projeto, conflitos intra- grupais e interpessoais… Outro muito utilizado é “Águia em chamas” ,que levaria o Oscar de liderança e tomada de decisão estratégica.

Outras cenas/trechos podem ser encontrados em outros tantos filmes para ilustrar, por exemplo, os seguintes temas:

-       liderança, estilo do líder e sua influência sobre a performance do grupo em: “Nascidos para matar”, “Sociedade dos poetas mortos”;

-       avaliação de performance, de potencial e coaching em: “Gênio indomável”;

-       gestão da mudança e papel do agente de mudança em: “Bagdá Café”, “Mudança de hábito”; “Sociedade dos poetas mortos”

-       a questão feminina no trabalho em: “Joana D’Arc”, “Do que as mulheres gostam”; ”Erin Brockovich”

-       conflitos de valores em: “O pequeno Buda”;

-       vínculo entre empresa e empregado em: “Por amor ou por dinheiro”.

-       crenças pessoais, empreendorismo em: “1492”

-       trabalho em equipe, conflitos interpessoais em: “12 homens e uma sentença”

 

Os exemplos ainda poderiam ser muitos, mas já são suficientes para mostrar a riqueza e a potência desse recurso na ilustração de aspectos pessoais, interpessoais e profissionais no trabalho. Nunca é demais lembrar: a escolha das cenas e sua apresentação em sala devem ser preparadas com antecedência, sempre direcionadas aos objetivos pretendidos.

Utilizados dessa forma, os filmes comerciais proporcionam ao treinando uma linguagem metafórica que provoca reflexão e interpretação de maneira projetiva e envolvente. Já os filmes tradicionais/convencionais de treinamento descrevem e explicitam comportamentos considerados adequados, de forma muito abrangente, induzindo a interpretações racionais que, sabemos, não é a melhor forma  de compreender comportamentos e atitudes; na verdade, esses filmes são mais do tipo “siga a receita”, com raras exceções.

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